sexta-feira, 18 de junho de 2010

As zebras desfilam na África



Que dia na África. Nem os mais pessimistas dos alemães, yankees e ingleses devem estar acreditando no que viram hoje. USA 2 x 2 Eslovênia, Inglaterra 0 x 0 Argélia e Alemanha 0 x 1 Sérvia.

Junto com a Argentina, a Alemanha foi o único "papão" elogiado pela sua atuação na primeira rodada. É verdade que enfrentou uma fraquíssima Austrália, mas fez o que outras grandes não conseguiram fazer encima das miúdas: golear. Já a sempre poderosa mas raramente eficiente Inglaterra conseguiu colocar em cheque sua classificação para as oitavas. E por último, o árbitro Koman Coulibaly impediu os Estados Unidos de aplicar uma bela virada sobre a Eslovênia, ao anular gol legítimo (e muito) de Edu. Caso os Estados Unidos não passe de fase por conta desses pontos, a FIFA deveria mandar o senhor Coulibaly embora da Copa junto com o time norte americano. Simplesmente inaceitável um erro bisonho desse em uma partida de Copa do Mundo.

Mas no final das contas, ainda acredito um pouco na pouca lógica que ainda existe no futebol, logo creio que Inglaterra e Estados Unidos passam de fase. A Alemanha também passa por Gana e garante presença no mata mata.


quinta-feira, 17 de junho de 2010

O castigo vem a cavalo ! Au revoir !


É incrível a "montanha russa" que caracteriza as campanhas da seleção francesa nas Copas do Mundo. Em 1998, foi campeã com autoridade encima da seleção Brasileira. Em 2002, caiu na primeira fase sem marcar sequer um gol. Em 2006, fez a final contra a Itália e só não ganhou porque Zidane perdeu a cabeça. Agora, em 2010, vai repetindo a façanha de 2002: nenhum gol até então, empatou com Uruguai e perdeu para o México. Sensacional a atuação dos mexicanos hoje: não deram nenhuma chance para "Les bleus". Vitória com V maísculo. Salvo um milagre, a França está fora da Copa na qual nem deveria ter entrado. Não fosse o gol vergonhoso de Henry contra a Irlanda, quando o árbitro não deu o toque de mão clarríssimo do atacante, os franceses não protagonizariam o iminente vexame. Parece castigo não ? Thierry Henry que o diga: assistiu do banco seu time correndo desordenadamente atrás do gol que ainda não veio nessa Copa.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Abre aspas para Kléber e cia

"Estou voltando para a minha casa. E isso só foi possível pelo grande trabalho do Belluzzo (presidente do Palmeiras) e do Cipullo (vice-presidente de futebol) e dos torcedores que ajudam financeiramente o clube. Estou voltando para um clube no qual eu nunca deveria ter saído."

( apresentação no Palmeiras dia 09/06/2010)

"Acho que eu estou começando a pensar que vou ter que ir embora do Brasil, porque eu não consigo trabalhar no meu país mais. Às vezes fico pensando que está na hora de ir embora mesmo, de ir jogar lá fora."
(após pisar em Lauro e ser expulso em 7/06/2009)

"Não estou feliz aqui como antes, mas vou ficar até o meu contrato acabar."

(após ser vaiado na derrota para o Palmeiras, em 23/09/2009)

"Eu ainda não falei com ele, não teve ameaça. Mas se chegou a esse nível ele vai querer ir embora."

(Giuseppe Dioguardi, procurador de Kléber, em 23/09/2009)


E agora, após sua apresentação no Palmeiras. Kléber disse:

“Eu não queria ter saído, tanto é que no dia da minha apresentação (ao Palmeiras), eu falei na frente de todo mundo. ‘Olha, eu não pedi para sair do Cruzeiro’. E eu não sairia do Cruzeiro se tivesse uma conversa com o Zezé, se a gente tivesse ajustado algumas coisas, eu não sairia.”

( entrevista para a TV Horizonte dia 14/06/2010)

Se alguns acreditam que Kléber não queria ter saído do Cruzeiro, não me incluo no meio deles.







Esse filme nós já conhecemos ...


A estréia do Brasil na Copa da África foi exatamente aquilo que se previa: os norte coreanos totalmente retrancados e os brasileiros com dificuldades para jogar. Porém a superioridade técnica da seleção Brasileira falou mais alto, e o Brasil venceu mais uma vez na sua estréia: 2 x 1, gols de Maicon e Elano.

Confesso que nunca imaginei este placar para este jogo, talvez pelo fato de não acreditar que a seleção pudesse ter uma atuação tão ruim como foi o primeiro tempo. Nos primeiros 45 minutos ficou claro que a seleção de Dunga não consegue jogar contra adversários fechados. Aconteceu várias vezes nas eliminatórias e hoje foi a mesma história. E não se pode culpar o nervosismo da estréia, pois em momento algum os comandados de Dunga mostraram sentir psicologicamente a ocasião. O que aconteceu foi o replay do que já conhecemos (e provavelmente o resto do mundo também): um meio campo com Felipe Melo e Gilberto Silva é extremamente apático. O único destaque da seleção na primeira etapa foi Robinho, que procurou o jogo e as arrancadas. No mais, a seleção parecia jogar contra a Tanzânia: lenta, sem objetividade e até tomou um susto ou outro. Com isso, o time se tornou previsível e fácil de ser marcado. Ou a bola era jogada para Maicon tentar o cruzamento pela direita ou Robinho tentava o drible para entrar na área. Mais nada.

Veio a segunda etapa e com ela a expectativa por mudanças. Porém, Dunga manteve em campo a mesma equipe que começou o jogo e terminou o primeiro tempo. Mas a postura do time mudou totalmente (mérito para o comandante). Kaká passou a ser mais acionado e teve alguns lampejos, Robinho seguiu correndo muito e até Felipe Melo melhorou um pouco. Mesmo jogando mal, o Brasil passou a criar algumas chances, porém a maioria de fora da área. Furar o bloqueio asiático continuava difícil, até que Elano deu passe majistral para Maicon enganar o goleiro e marcar o primeiro gol brasileiro na Copa. A seleção continuou pressionando até que Elano matou o jogo, aos 27 do segundo tempo, em passe mais majistral ainda de Robinho. A vitória estava tão garantida que Dunga mandou o time pra frente, colocando Daniel Alves, Nilmar e Ramires. Porém ninguém contava que o setor mais forte da seleção fosse o responsável pelo grande vacilo do dia: num lançamento de 50 metros, Yun Nam entrou como quis na defesa brasileira e colocou no canto esquerdo de Júlio César. Em um grupo que tem Portugal de Costa do Marfim, tomar gol da Coréia do Norte no fim do jogo é inaceitável. Não havia tempo para mais nada. Vitória do Brasil, líder do grupo G.

É claro que a impressão que ficou foi de uma má estréia. Mas também temos alguns pontos positivos a destacar:

. A (surpreendente) postura ofensiva de Dunga no segundo tempo, ganhando de 2 x 0 e querendo mais gols.
. No segundo tempo, mesmo ainda estando léguas de distância do que pode render, Kaká procurou mais o jogo e foi outro jogador em relação ao primeiro tempo.
. Dunga reconheceu na coletiva que o time precisa melhorar e admitiu que não ficou satisfeito com a atuação.
. Maicon e Robinho estão com muita fome de bola.

Mesmo repetindo os mesmos erros que acustumamos a ver, temos que reconhecer que esta é a rotina do Brasil. Faz grandes jogos contra os grandes e jogos ruins contra os pequenos. Vimos este filme seguidas vezes (eliminatórias, Copa América e Copa das Confederações). Nas três ocasiões o final foi feliz. Resta torcer para que desta vez ele também seja. Continuo com minha opnião de que somos os grandes favoritos para ganhar a Copa.


segunda-feira, 14 de junho de 2010

Palpite para logo mais


Faltam poucas horas para a estréia da seleção brasileira na Copa do Mundo 2010. Com certeza todos os jogadores estão com aquele friozinho na barriga. Estréias são bem complicadas, ainda mais se tratando de uma Copa do Mundo. Todo o trabalho de 4 anos de uma comissão técnica com seus jogadores visam este momento. Uma boa estréia aliviará 190 milhões de pessoas, que estão no mínimo curiosas sobre como se comportará a contestada porém eficiente seleção de Dunga. Já uma má atuação logo mais reforçará o coro de teimoso para cima do técnico.

Mas vamos ao jogo. Confesso não conhecer NADA sobre o time da Coréia do Norte. Mas pelo que não se ouve falar deles, é possível deduzir que todos os setores (defesa, meio e ataque) do Brasil são infinitamente superiores. Porém, nas eliminatórias, vimos o Brasil sofrer diversas vezes com times fracos, que se postam sempre atrás da linha da bola e fecham completamente a defesa. Quando é atacada, a seleção se sai muito bem, como aconteceu na Copa das Confederações. Todavia, quando cabe aos brasileiros furar uma retranca, o que vimos fomos jogos horríveis. E sou capaz de apostar alto que esta será a postura dos norte coreanos, assim como Dunga aposta. Por isso acredito que ele preparou seu time para isso. Por mais que os asiáticos tenham declarado não temer o Brasil e que podem sim ganhar o jogo, me surpreenderá demais se a Coréia se lançar para o ataque.

Com tudo isso, fica aí o meu palpite: 3 x 0 para o Brasil, sem brilhantismo mas com folga, assim como foi contra Zimbábue e Tanzânia.

sábado, 12 de junho de 2010

A seleção dos brasileiros


Começou ontem o primeiro mundial na África. Mas começou é modo de dizer. As duas partidas de ontem valeram mais pela festa do que pelo futebol. Já os jogos de hoje aumentaram um pouco as expectativas de um bom mundial. Enquanto isso, o Brasil do Dunga se prepara para sua estréia, dia 15. Sim, Dunga fez questão de falar que a seleção brasileira é dele. E não somente falou como provou, ao impedir o povo brasileiro de ver seus ídolos. Mas já que a convocação está feita e ninguém pode fazer nada para mudar algo (nem mesmo jogar melhor do qualquer um que está lá), o que esperar do Brasil na Copa?

Primeiramente, vale lembrar que qualquer selecionado brasileiro feito por um sujeito consciente é no mínimo um time competitivo. Ao olhar para a lista de Dunga, é verdade que fica difícil imaginar um Brasil brilhante em campo, mas também é impossível imaginar uma seleção pífia como a de 2006. Pelo menos temos a garantia de muita raça e vontade.
E convenhamos, é necessário que o Brasil seja brilhante para ganhar uma copa do Mundo ? Em 1994 e 1998 o time esteve longe disso e chegou nas finais.

Porém, a convocação de Dunga abriu espaço para uma discussão envolvendo “momento” e “histórico”. Dunga privilegiou o histórico e ignorou completamente o momento vivido por cada jogador. Apesar de seu time ser, repito, competitivo, ele abriu espaço para situações que poderiam ser evitadas caso ele considerasse o momento dos atletas. Porque preocupar-se tanto em não levar gols quando poderíamos ter a garantia de gols do meio para frente e ainda ter a “superfesesa” que ele tanto preza?

Dunga fingiu não ver que Felipe Melo fez um péssimo campeonato Italiano pela Juventus, que Gilberto Silva não tem mais o mesmo vigor de 2002 e que Kléberson não vem jogando nada no Flamengo. Doni não jogará, porém porque levar o reserva do Roma em detrimento ao melhor goleiro do Brasil (Fábio)? Claro, temos que seguir sempre a “coerência” que Dunga tanto gosta. Victor vinha sendo chamado para todos os jogos e não fez nada para ficar de fora, ao mesmo tempo em que Doni não fez nada para merecer sua vaga. Grafite jogou 5 minutos pela seleção sob o comando de Dunga e ganhou a vaga de Adriano. Tardelli, que vinha sido chamado, jogou mais (em tempo e em qualidade) e ficou de fora. Coerência?

Concordo com Dunga ao deixar Neymar e Ronaldinho Gaúcho de fora. O primeiro é substituível na seleção, e o segundo já teve chances demais. Porém nada nesse mundo consegue me justificar a ausência de Paulo Henrique Ganso. Dunga afirma que Ganso não jogou sob seu comando e por isso não foi chamado. E Grafite? 5 minutos contra a Irlanda é jogar?

O time do Brasil é forte? Sim. É candidato a título? Sim. Porém poderia ser muito mais forte e muito mais candidato. Só dependia da “coerência” de Dunga. Mas essa é a nossa seleção para a Copa. Ela é nossa, Dunga. Ela pertence aos 190 milhões de brasileiros que te desejam toda a sorte do mundo para que suas teimosias funcionem na Copa.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

SIM para a Copa DO Brasil ... NÃO para a Copa NO Brasil


Enquanto a novela dos estádios não termina, o Brasil vai se preparando para a Copa 2014 bem ao seu estilo: conversa pra lá, política pra cá, favores pra lá e promessas para todo lado. Opor-se a realização do mundial em nossa terra soa para muitos com criticismo, falta de patriotismo ou até mesmo como uma ofensa à nação. Porém fatos são fatos e história é história. O Brasil não tem a menor condição (ou até mesmo o direito) de sediar uma Copa do Mundo.

Quando digo que o país não tem o direito de realizar o evento, refiro-me ao fato de que o governo não tem o direito de gastar o dinheiro que vem dos nossos bolsos (contribuintes) para a construção dos estádios e da estrutura que a Copa exige. Já está mais do que claro que todos os planos do governo brasileiro sustentam-se na verba pública, ao contrário do mundo sério, onde a iniciativa privada assume as rédeas do processo.

E por falar em estrutura, e nossos aeroportos? Guarulhos, o maior (em termos de tráfego) e mais importante do Brasil, é uma pocilga. Extremamente mal planejado, nada funcional, ultrapassado e mal localizado. Como os terminais não comportam mais o volume de passageiros, achou-se a solução: construir um "puxadinho" aonde ficam os antigos hangares da VASP e Transbrasil. Alguém já viu isso na Inglaterra? Nos Estados Unidos? É só aqui mesmo !

Talvez o ponto mais crítico seja a politicagem. Muito se tem dito que sediar a Copa será uma oportunidade para o país aprender e crescer. Vários especialistas defendem a tese de que, se a fiscalização aumentar e a leis forem cumpridas com rigor, o Brasil realizará um evento fenomenal. Mas a história nos leva a crer no oposto. A mentalidade de nossos governantes faz com que a chance para crescer e aprender seja ofuscada pela oportunidade de faturar e desviar mais. Mesmo que a Copa seja um sucesso, tenha certeza de que você pagará (e muito) por isso.

Perdoe-me os mais otimistas, mas é difícil de acreditar em um país onde Clodovil era deputado, cueca é cofre, mensalão é mesada e Lula é presidente há 8 anos. Que tal ficarmos somente com a Copa do Brasil e deixar a Copa no Brasil para quando formos maduros o suficiente para realizá-la ?